Prêmio Mundial de Agricultura Orgânica Vai Para Brasileira de 92 Anos

Pioneira do movimento orgânico no Brasil, Ana Primavesi, austríaca naturalizada brasileira, foi escolhida pela contribuição aos movimentos agroecológicos na América Latina.

“O segredo da vida é o solo porque do solo dependem as plantas, a água, o clima e nossa vida. Tudo está interligado. Não existe ser humano sadio se o solo não for sadio”

Foi uma das pioneiras na preservação do solo e recuperação de áreas degradadas, abordando o manejo do solo de maneira integrada com o meio ambiente. Suas pesquisas apontam para uma agricultura que privilegie a atividade biológica do solo com um alto teor de matéria orgânica, evitando o revolvimento do mesmo, e substituindo o uso de insumos químicos pela aplicação de técnicas como a da adubação verde, controle biológico de pragas, entre outros. A compreensão do solo como um organismo vivo e com diversos níveis de interação com a planta foi uma das contribuições de Primavesi para a agronomia.

Foi professora da Universidade Federal de Santa Maria, onde contribuiu para a organização do primeiro curso de pós-primavesigraduação voltado para a agricultura orgânica. Aposentada, tocou por muitos anos sua própria propriedade agrícola em Itaí, no estado de São Paulo, onde colocaram em prática os conceitos da agricultura orgânica. Foi também fundadora da Associação da Agricultura Orgânica (AAO), uma das primeiras associações de produtores orgânicos do Brasil. Seu livro: “Manejo ecológico do solo: a agricultura em regiões tropicais” é considerado uma obra de referência nas ciências agrárias.

Depois de 65 anos na luta pela saúde dos solos, a engenheira agrônoma Ana Primavesi, 92, recebeu o One World Award 2015 – o principal título de agricultura orgânica mundial. Conferido pela International Federation of Organic Agriculture Movements (IFOAM), o prêmio honra ativistas cujo trabalho tenha impactado positivamente a vida de produtores rurais, sobretudo os mais desfavorecidos.

Ana dedicou a sua vida a ensinar como é possível aliar a produção de alimentos à conservação do meio ambiente, sem esquecer-se do pequeno produtor e de suas necessidades.

“O segredo da vida é o solo porque do solo dependem as plantas, a água, o clima e nossa vida. Tudo está interligado. Não existe ser humano sadio se o solo não for sadio e as plantas, nutridas” – disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Em sua trajetória de trabalho, Ana revolucionou a produção agrícola e contribuiu para uma conscientização de uma alimentação mais saudável. O livro Manejo Ecológico do Solo, escrito por ela, é considerado uma das bíblias da produção orgânica e leitura obrigatória nas faculdades de Agronomia do país. Ficou curioso para conhecer mais sobre ela? Assista ao documentário O Veneno Está Na Mesa, que conta com falas de Eduardo Galeano.

Texto adaptado do site Jornal Já

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