Festival Feira Moderna promove shows dia 12 agosto em fazenda histórica

No dia 12 de agosto (sábado), Três Pontas (MG) escreverá mais uma página de sua íntima relação com a música brasileira. A primeira edição do projeto “Feira Moderna” homenageará os 40 anos de realização do show do Paraíso, promovido por Milton Nascimento em 1977. A majestosa Fazenda Pedra Negra, patrimônio histórico da cidade, receberá em seus terreiros de café 12 horas de shows com apresentações de Lô Borges (relembrando o épico “Disco do Tênis”), Beto GuedesWagner TisoFrancis Hime, Nelson Ângelo e o grupo instrumental Azymulth – nomes do Clube da Esquina e da rica cena do país da década de 1970 que estiveram naquele que ficou conhecido como o “Woodstock Mineiro”.

Homenageando uma das grandes vozes que estiveram no show do Paraíso e que já nos deixou, Gonzaguinha, o Feira Moderna também contará com show de seu filho, Daniel Gonzaga. E o palco do festival ainda receberá performances dos grupos trespontanos Marginália e Compasso Lunnar – este recebendo a participação especial do lendário guitarrista Frederah, que também esteve no encontro de 1977 na mesma cidade. O encerramento do festival será com a banda Quartetto Sentinela, de Alfenas, que faz uma celebração do cancioneiro do Clube da Esquina.

Ao celebrar o passado e valorizar o presente da rica música brasileira, uma nova história surge com o Feira Moderna sob os trilhos do imaginário artístico pavimentado em Três Pontas, celeiro de amizades, da criação artística e da cultura mineira.

O festival contará com estrutura para atender um público de até 3 mil pessoas, incluindo festival de Food Trucks, banheiros, duas áreas de pista e camarotes – este com open food, open bar. O evento estimula o uso de transporte coletivo: vans sairão de Três Pontas e Varginha a cada meia hora, além do aeroporto de Três Pontas, próximo à fazenda, onde é possível deixar os veículos em estacionamento. O hotel-fazenda, que não fará reservas durante o evento, contará com área de camping.

A realização do Feira Moderna conta com parceria da Prefeitura de Três Pontas.

Ingresso Solidário em prol da Santa Casa de Três Pontas

Além da promoção da cultura, o festival também busca chamar a atenção para a situação crítica vivenciada pela Santa Casa de Três Pontas. Nesse sentido, R$ 5 de cada ingresso solidário vendido serão repassados ao hospital, além do quilo de alimento exigido ao se adquirir tal entrada com valor especial (R$ 105).

A Santa Casa de Três Pontas tem 80 anos de história e serviços prestados à população. Atualmente é referência para cinco municípios e possui parceria com outras 18 cidades da região. No entanto, a situação financeira tem colocado em risco todo o funcionamento da estrutura, segundo Michel Renan Simão Castro, provedor da instituição. “O Estado nos deve 1,8 milhões de reais, estamos feridos de morte, uma situação sem precedentes. Quando assumimos, em março deste ano, o intuito foi o de não deixar o hospital fechar, estava faltando de tudo”, conta o provedor.

Ainda que o repasse represente uma parcela pequena frente ao imenso déficit da instituição, o apoio do festival caminha no sentido de dar visibilidade a tal situação junto à população da região, artistas de todo o país e autoridades. “Toda ajuda é bem-vinda. E é uma via de mão dupla ao agregar a possibilidade das pessoas virem ao festival através do ingresso solidário dando visibilidade a essa questão social urgente”, afirma o provedor da Santa Casa de Três Pontas.

Festival do Paraíso – 1977

Em 30 de julho de 1977, a trajetória de Milton Nascimento foi reconhecida em Três Pontas com a instituição do nome “Travessia” para a praça localizada em frente à casa de seus pais. A homenagem acabou por motivá-lo a convidar grandes artistas e amigos com quem mantinha convívio intenso à época para uma retribuição com um show especial em sua terra. Foi assim que desembarcaram na cidade nomes como Chico Buarque, Fafá de Belém, Simone, Gonzaguinha, Clementina de Jesus, o grupo chileno Água, Francis Hime e integrantes do já consagrado Clube da Esquina, como Beto Guedes, Lô Borges, o trespontano Wagner Tiso e Nelson Ângelo, dentre outros. Os dois dias de shows, que aconteceram num imenso descampado da fazenda Paraíso (terreno hoje utilizado para plantação de café), atraíram uma multidão de jovens que chegavam de toda a região e mesmo de estados como Rio de Janeiro e Bahia. Realizado em plena ditadura militar, com a presença de astros da MPB com forte engajamento político e um público que respirava novos comportamentos e ideais, o show ficou lembrado como o “woodstock mineiro” – em alusão ao lendário festival que ocorrera oito anos antes, em 1969, na cidade americana de Bethel, no estado de Nova York. A improvisação na produção do festival – patrocínio de um alambique local, pão com mortadela distribuído pela cidade para suprimir o esgotamento de alimentos, carros enguiçados pelas estradas de terra – passou a ser uma lembrança saudosa de um evento histórico, que tinha como elemento principal a amizade entre os artistas e a paixão do público por uma música que espelhava os dilemas e sonhos de uma geração.

Feira Moderna

O projeto, idealizado pela Gesto Produtora, apresenta-se como um festival itinerante. A cada ano uma cidade, de diferentes estados, será escolhida para receber apresentações musicais com homenagens a shows e eventos históricos que tenham ocorrido em tal localidade, a exemplo do “Woodstock mineiro” de 1977 em Três Pontas.

Fazenda Pedra Negra

Localizada a 7km de Três Pontas e a 17 km de Varginha, a Pedra Negra é um dos mais belos exemplares da arquitetura colonial na região, totalmente preservada e com estrutura de hospedagem, além de ser sede do Museu do Café. Os shows do Feira Moderna ocorrerão em alguns dos seis terreiros de café da fazenda, que é Patrimônio Histórico de Três Pontas.

Serviço

Feira Moderna – Um Woodstock Mineiro

AtraçõesLô Borges, Beto Guedes, Francis Hime, Azymuth, Nelson Ângelo, Wagner Tiso, Compasso Lunnar e Fredera, Daniel Gonzaga e Marginália.

Quando: 12 de agosto (sábado)  *Abertura dos portões às 12h. Início dos shows às 14h. Fechamento dos portões às 02h da manhã.

Onde: Fazenda Pedra Negra – Três Pontas. *estrada para Varginha (7 km de Três Pontas e 17 km de Varginha).

Quanto:

Camarote – 1° Lote: R$ 300 (valor único)

Pista – R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia)

Pista – Solidário: R$ 105 + 1kg de alimento não perecível

Vendas online: www.ipass.com.br <link direto>

* taxa de conveniência do site: 10%. Opção de pagamento com boleto ou cartão

Vendas em lojas:

<a partir de 14 de julho, sexta>

Três Pontas: Pizza Dog, Specialle, Vimi Café Gourmet

Varginha: Pré-festa (rua Dona Zica, 46-A, Vila Pinto)

Alfenas: Bar Januário (Rua Tiradentes – Centro) e Love Brands (próximo à Praça Getúlio Vargas)

Classificação indicativa: 18 anos (menores apenas acompanhados de responsáveis)

Capacidade: 3 mil pessoas

Estacionamento: localizado a 800 metros do evento, o estacionamento oficial é sob responsabilidade da APAE de Três Pontas. Valor: R$ 20 (incluído transfer para o evento)

Camping: Mais informações com Elisa Resende – (35) 3265 1447. Área na própria fazenda. Serviço pago.

Mais informações:

http://festivalfeiramoderna.com.br

(35) 9.8705.7953 | (35) 9.9974-0724 |contato@festivalfeiramoderna.com.br

Redes sociais:

Facebook: www.facebook.com/feiramodernafestival/

Instagram: www.instagram.com/feiramodernafestival/?hl=pt-br

Outras informações:

  • proibida entrada com bebidas, alimentos e objetos cortantes.
  • hospedagem na Fazenda Pedra Negra não disponível durante o evento
Sobre os artistas convidados e shows do Festival Feira Moderna
Lô Borges

No ano de 1972, Lô Borges lançou dois LPs emblemáticos e decisivos na história da discografia brasileira: ao lado de Milton Nascimento, o “Clube da Esquina”; e o outro álbum, com apenas o nome do artista e um par de tênis surrados na imagem de capa, que ficou mais conhecido como o “Disco do Tênis”.  No show, o artista e sua banda reconstroem na íntegra o álbum ao vivo. O disco é considerado um dos grandes clássicos da MPB. A apresentação terá também músicas de Lô gravadas no “Clube da Esquina”, clássicos como “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”, “O Trem Azul” e “Paisagem da Janela”, com arranjos das gravações originais.

Wagner Tiso

Natural de Três Pontas, com consagrada carreira no país e exterior como pianista, compositor e arranjador, Wagner Tiso é fundador do lendário grupo Som Imaginário, peça chave do Clube da Esquina e principal parceiro de Milton Nascimento desde a infância. De trilhas para cinema a arranjos e direção musical, esteve ao longo de sua trajetória musical lado a lado com nomes como Paulo Moura, Cauby Peixoto, Ron Carter, Gilberto Gil, Hermeto Pascoal, Chico Buarque e Ivan Lins, dentre tantos outros.

Francis Hime

Pianista, compositor e arranjador, o carioca Francis Hime assumiu o papel de um dos principais protagonistas da música popular brasileira a partir da primeira metade dos anos 60, além de forte relação com o meio erudito e trabalhos com orquestras. Em 1963, começa a sua parceria com Vinicius de Moraes, com quem compôs inúmeras canções, tais como “Sem mais adeus” e “Anoiteceu”. Nessa época começa também a compor com Ruy Guerra canções como “Minha” (gravada por Tony Bennett, Bill Evans e muitos outros). Participou de vários festivais de música nos anos 60, quando suas canções foram cantadas por Elis Regina, Roberto Carlos, Jair Rodrigues, MPB-4 e outros. Em 1969 foi para os Estados Unidos, onde ficou quatro anos estudando composição, orquestração e trilhas. De volta ao Rio, em 1973, grava seu primeiro disco para a Odeon, quando também começa a compor com Chico Buarque, rendendo parcerias como “Atrás da porta”, “Trocando em miúdos”, “Meu caro amigo”, “Pivete”, “Passaredo”, “A noiva da cidade” e “Vai Passar”. Em 1973, começa a compor trilhas para filmes, tais como: “Dona Flor e seus maridos” e “A noiva da cidade”. Em 2015, lançou pela gravadora Biscoito Fino o CD e DVD “Francis Hime 50 Anos de Música”, e atualmente está escrevendo um concerto em três movimentos para clarinete e orquestra.

Beto Guedes

Multiinstrumentista natural de Montes Claros, Beto Guedes é um dos nomes centrais do Clube da Esquina, tendo absorvido em suas obras tanto a influência do rock progressivo quanto do rico cancioneiro regional que pavimentou sua carreira. No show estarão temas como “Amor de Índio”, “O Sal da Terra”, “Feira Moderna” e “Maria Solidária”, dentre outros, com banda composta pelos músicos Arthur Rezende (bateria), Adriano Campagnani (baixo), seu filho Ian Guedes (guitarra) e Cláudio Faria (teclados).

Daniel Gonzaga

Filho de Gonzaguinha e neto de Gonzagão, percebe-se rapidamente a boa influência da família no trabalho de Daniel Gonzaga. Com personalidade própria, é possível comparar suas letras ácidas e bem construídas às do pai. Na parte musical, Daniel herda o ritmo inconfundível do Rei do Baião e cria fusões enriquecedoras para a MPB, igualmente tendo a poesia como grande destaque. O carioca gravou aos 21 anos seu primeiro disco, “Sob o Sol”. Desde então, álbuns autorais e a composição de trilhas sonoras têm sido a vida do artista. Prepara o lançamento de seu primeiro DVD, já gravado, com participações especiais do grupo Chicas, de sua irmã Fernanda Gonzaga e de Paulinho da Viola.

Azymuth

Com mais de 45 anos de carreira e mais de 30 álbuns gravados, o grupo já esteve nos principais festivais e casas de música de todos os continentes, como o Montreaux Jazz Festival e o Blue Note de Nova York. Surgido no diálogo entre bossa nova e jazz (com formação original de José Roberto Bertrami, Alex Malheiros e Ivan Conti), é uma das bandas mais prestigiadas do Brasil no exterior, tendo trabalhos ao lado de Eumir Deodato, Stevie Wonder, Sarah Vaugham, Joe Pass, Milton Nascimento, Elis Regina, Tim Maia, dentre outros. Em 2015 o Azymuth convidou o pianista Kiko Continentino para ocupar a vaga deixada por Bertrami e continuar a manter o som e a chama acesa.

Nelson Ângelo

Ainda  em  Belo  Horizonte conheceu  Milton  Nascimento, Márcio  e  Marilton  Borges,  Fernando  Brant,  Toninho  Horta e Helvius   Vilela.   Iniciou   sua   carreira em casas noturnas, teatros e televisão, tornando-se músico profissional em 1966. No  final  do  mesmo  ano  mudou-se  para  o  Rio  de  Janeiro  onde  conheceu Dorival   Caymmi,   Tom   Jobim,   Vinícius   de   Moraes,   Luiz   Eça,   Edu Lobo,   Marcos   e   Paulo   Sérgio   Valle,   Rui   Guerra   e   Ronaldo   Bastos. Gravou  com  artistas  brasileiros  e estrangeiros como Sarah Vaughan, Björk, Telly  Savalas,  Egberto  Gismonti,  Gonzalo  Rubalcaba  e  John  McLaugh. Participou   do   Clube   da   Esquina,   Quarteto   Livre,   Clube   do   Samba, Conjunto Luiz Eça e a Sagrada Família, A Tribo e Turma do Funil. Atuou como  músico,  compositor,  cantor,  arranjador  e  produtor,  afirmando-se como artista independente no Brasil, América Latina e países europeus. É autor de temas como “Canoa, Canoa” e “Testamento”.

Compasso Lunar e Frederah

Formado por Clayton Prósperi (teclados), Fernando Marchetti (bateria), Ismael Tiso (guitarra) e Paulo Francisco Tutuca (baixo), o grupo de Três Pontas mostra uma nova música autoral do sul de Minas com influências do rock ao jazz, com forte relação com o Clube da Esquina e com a obra de Milton Nascimento – os integrantes fizeram parte da turnê do álbum “E a gente sonhando”, como solistas e compositores. A estreia do grupo se deu em 2016 no Sesc Palladium em Belo Horizonte, marcando também o lançamento do clipe “Molhou/Lampejo”, gravado na Fazenda Pedra Negra. Este é exatamente o cenário do festival Feira Moderna, no qual se apresentarão ao lado de Frederah, lendário guitarrista do Som Imaginário, autor do celebrado disco instrumental “Aurora Vermelha” e instrumentista de nomes como Ivan Lins, Gonzaguinha e Gal Costa.

Marginália

Banda claramente influenciada pelo tropicalismo, traz para o palco todo o rock brazuca de ontem e hoje, o groove e o swing do lado A e B da MPB além de belas composições autorais. A banda de 11 integrantes é de Três Pontas, Sul de Minas, cidade conhecida por sua fértil produção musical, e tem a proposta de fazer música brasileira, cover ou autoral, inspirada na energia tropicalista de misturar o rock com o swing brasileiro.

Quartetto Sentinela

Banda de Alfenas com mais de uma década de estrada, o Quartetto faz em seus shows uma celebração do cancioneiro do Clube da Esquina e de Milton Nascimento, já tendo realizado apresentações ao lado de nomes como Tavito, Toninho Horta e Flávio Henrique em teatros e casas noturnas do país. O grupo é formado atualmente por Paulo Francisco Tutuca (vocal), Luiz Cláudio Casquídeo (violões e baixo), Gabriel Gomes (bateria) e Eric Furlan (guitarra).

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