Ian Ramil fala sobre seu álbum Derivacivilização, carreira e influências

A 4ª edição do Balaio de Vênus tem a honra de ser a primeira cidade do Sudeste a receber o show de lançamento do álbum “Derivacivilização”, segundo disco da carreira do gaúcho Ian Ramil. De linhagem de músicos, filho de Vitor Ramil, sobrinho de Kleiton e Kleidir, Ian Ramil foi vencedor do Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) na categoria “Revelação”.

O artista gaúcho entrou em grande número de listas de melhores de 2014 com o CD e LP de estreia IAN, produzido por Matias Cella (Jorge Drexler). No mesmo ano, embarcou em turnê para Argentina e deu as caras em Nova Iorque e Montevidéu. Recebeu indicação ao Prêmio Açorianos de Música 2015, desta vez como Intérprete.

O álbum Derivacivilização, divulgado em 2015, é um trabalho mais anarquista e independente, e conta com a participação do vocalista e guitarrista do Apanhador Só, respectivamente Alexandre Kumpinski e Felipe Zancanaro, além de Filipe Catto e Gutcha Ramil.

O Canal UltraNativo trocou mensagens com Ian, e trouxe pra vocês uma entrevista mais que especial. Acompanhe abaixo:

Canal – Como iniciou o seu contato com a música e sua a carreira profissional? A influência da família (pai e tios músicos) pesou?
Ian Ramil: Toco e componho desde pequeno. Antes de assumir a música profissionalmente passei por dois anos de faculdade de jornalismo e quatro anos de teatro. O momento puramente amador terminou assim que subi no palco pela primeira vez pra tocar minhas composições. Ali entendi o que tinha que fazer da vida. 
A influência de pai e tios é ótima. Sempre me apoiaram nas decisões e procuramos sempre ouvir e conversar sobre o que estamos criando.
Canal – Como é o cenário musical no Sul? A cena autoral é forte? Como é a troca entre músicos de lá?
Ian Ramil: Existe um grande número de compositores e compositoras lá nesse momento. No auge da movimentação no Escuta – O Som do Compositor éramos cerca de 50 compositores que nos juntávamos pra compor, comer, beber e fazer shows coletivos. Muita coisa surgiu dali. Agora vivemos um momento muito fértil artisticamente no Rio Grande do Sul, mas basicamente como em todos os lugares, os independentes são completamente marginalizados pela grande mídia e logo completamente ignorados pelo grande público. É mais ou menos como os produtores locais de orgânicos: vamos conquistando público aos poucos e montando nossas feirinhas, com a maior dignidade.
Canal – Fale um pouco das suas referências musicais.
Ian Ramil: Gosto de muita coisa. Beatles, Nirvana, Radiohead, Caetano, João, Morphine, Stevie Wonder e aquele pagode do deixa acontecer naturalmente.
Canal – Os processos de gravação do primeiro e do segundo disco foram bem distintos. Conte um pouco sobre cada um deles.
Ian Ramil No início de 2012 fui pra Argentina gravar meu primeiro disco, IAN. Entre ida e vindas, esse processo durou até 2014, quando o disco saiu. Em 2013, no vazio das salas de espera e de olho no mundo, compus o Derivacivilização. Quando o primeiro disco saiu em 2014 eu já não queria mais ele, queria cantar aquelas músicas que eu havia feito há pouco. Então no fim do ano, depois de viajar bastante com os shows do IAN, chamei a banda pra em janeiro de 2015 nos isolarmos em Pelotas pra gravar o Derivacivilização.
O primeiro é um apanhado de canções que criei dos 17 aos 26 anos, então tem uma cara mais indefinida. Tem a produção do mestre Matias Cella, é um disco mais responsável, enquanto Deriva é mais anárquico. Montamos um estúdio na casa onde cresci, em Pelotas, e passamos 15 dias experimentando e gravando e se divertindo muito. Captamos os reverbs naturais da casa e no fim foi só o que usamos em 100% dos instrumentos. Eu e o Ceron, que produziu o disco comigo, passamos depois da temporada na casa um longo tempo editando e entendendo o que havíamos feito. Nesse período também gravei mais vozes e inserimos áudios cotidianos que eu vinha gravando no celular há alguns meses pra essa finalidade.
Canal – Como está sendo a recepção do Derivacivilização e qual a expectativa pra turnê no Sudeste que se inicia em Três Pontas?
Ian Ramil – Tenho a sensação de que o Deriva chega em menos gente do que o primeiro, mas em quem bate, bate forte. Recebo comentários incríveis sobre o disco, acho que mexe bastante com quem se deixa mexer. E isso me deixa muito feliz. 
A expectativa pra turnê é a melhor! A banda ta voando e a gente adora fazer esse show. Vai ser um prazer enorme levar ele pro sudeste e começar nesse evento lindo em Três Pontas vai ser emocionante.
Canal – Conta um pouco mais da turnê: quem circula com você é a mesma banda que participou do processo de criação? O show da turnê será apenas do álbum novo?
Tem duas mudanças em relação à banda que gravou o disco: Lorenzo Flach assumiu as guitas no lugar do Felipe Zancanaro e o Pedro Petracco as baterias no lugar do Martin Estevez, sem ficar devendo nada em qualidade. São grandes músicos. Tenho orgulho da minha banda, todos são muito foda. Além deles tem o Guilherme Ceron no baixo e o Pedro Dom no clarinete e no piano.
Em teatros a gente faz o disco na íntegra e na ordem e pra tudo que não é teatro a gente monta o set pensando no lugar onde estaremos.
Ian ainda aproveitou a oportunidade para convidar o pessoal a comparecer no Balaio de Vênus: “Bora pro Balaio que ta recheado de shows e criatividades! O cenário independente precisa de cada um de vocês e vocês precisam do cenário independente, acreditem.”
O evento será nesse final de semana, no Verdes Eventos. Clique aqui e veja a programação completa.

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