Conheça ‘O Menino e o Mundo’, o primeiro longa animado latino-americano a concorrer ao Oscar

O Menino e o Mundo, é um filme de animação brasileiro de 2013, dirigido por Alê Abreu. Lançado em 14 de Janeiro de 2014, o filme já foi vendido para mais de 80 países. O Menino e o Mundo é um dos cinco indicados ao Oscar de Melhor Filme de Animação na edição do Oscar 2016.

A história tem como personagem principal Cuca,um menino que vive em um mundo distante, numa pequena aldeia no interior de seu mítico país. Certo dia, ele vê seu pai partir em busca de trabalho, embarcando em um trem rumo à desconhecida capital. A história, sabiamente contada sem palavra alguma. O cenário familiar é rural, mas o mundo para onde partem os adultos é o da cidade grande. Estes ambientes – personagens centrais à trama – ganham uma caracterização expressiva e inteligente: enquanto o campo é simbolizado por pequenos traços coloridos (referente à grama, à felicidade), a cidade é uma mistura cinzenta de pesadelo futurista (com favelas em formas de cones) e pastiche do capitalismo (outdoors, televisores por todos os lados). O trem que atravessa a fazenda nada mais é do que um monstro gigantesco, como uma serpente, que engole os adultos e depois desaparece no espaço branco, sem devolvê-los mais.

Os traços desta animação brasileira sugerem a ingenuidade, a infantilidade. O personagem principal éO Menino e o Mundo desenhado com um rabisco simples, em 2D, sobre espaços brancos remetendo a folhas de papel. A evolução do cinema animado tem sido cada vez mais associada ao desenvolvimento tecnológico, de modo que assistir a O Menino e o Mundo provoca uma surpresa. Enquanto as grandes produções buscam os traços realistas (como o cabelo ultra natural do príncipe de Shrek, ou a grande expressividade do robô Wall-E) para compor mundos mágicos, este filme faz o caminho inverso: usa traços que beiram o surreal para falar de um Brasil bastante palpável e contemporâneo.

Com um ritmo agradável, sem apelar para a montagem frenética das animações infantis hollywoodianas, o diretor Alê Abreu dedica-se a representar de maneira lúdica os espaços e as configurações do mundo contemporâneo. A exploração dos agricultores, a falência das fábricas, a tristeza dos tecelões, a precariedade dos artistas de rua, a falta de estrutura nas comunidades carentes, o regime militar… Tudo é retratado de modo a misturar o sonho (a bela música das favelas) com o pesadelo (os tanques de guerra, transformados em animais gigantescos). Os pobres são humanizados ao máximo, com a câmera próxima dos pequenos traços que representam os seus olhos tristes, já os poderosos estão escondidos atrás de tanques e veículos potentes.

O Menino e o Mundo“O Menino e o Mundo” também impressiona pela mistura de técnicas, incluindo colagens, carros feitos por computador (representando a desigualdade social) e mesmo imagens em estilo documentário, de árvores sendo cortadas em florestas. Junto da trilha sonora de cunho social, composta pelo rapper Emicida, fica evidente a notável ambição deste filme de entreter ao mesmo tempo em que estabelece uma mensagem muito clara sobre a sociedade atual. Talvez as crianças não consigam entender todas as referências históricas, mas nem precisa: a simples sensibilização às desigualdades como mensagem central já é um tema raro e precioso em meio a tantas produções que preferem martelar na cabeça dos pequenos os mesmos valores de amor familiar.

Esta acaba sendo uma produção triste, amarga, por trás do tom colorido da superfície. O Menino e o Mundo lembra produções como A Viagem de Chihiro ou O Mágico, de mestres da animação Hayao Miyazaki e Sylvain Chomet, que contrastaram muito bem o mundo idealizado da infância à vida embrutecida dos adultos. O tom de melancolia impregna este filme de excelente qualidade técnica, além de uma inventividade ímpar na representação dos espaços e do som (quer cena mais bonita do que o garoto guardando numa caixa a música tocada pelo seu pai?). Esta é uma produção capaz de divertir e suscitar a reflexão de crianças e adultos, por razões diferentes e em níveis distintos. Estas qualidades fazem de O Menino e o Mundo um filme muito mais complexo e rico do que os seus simples traços permitem imaginar.

Para disputar ombro a ombro com os grandes estúdios norte-americanos, a pequena produtora brasileira Filme de Papel está precisando se desdobrar para promover a campanha de divulgação e distribuição da animação “O Menino e o Mundo”, primeiro longa animado latino-americano a concorrer ao Oscar.

Como muitos dos críticos da Academia, os responsáveis por escolher os vencedores, não chegam a assistir todos os O Menino e o Mundoindicados, os estúdios se esforçam para fazer o filme chegar até eles e para garantir que assistam. Portanto, a distribuidora responsável pela animação nacional em solo americano pediu à produtora Filme de Papel que ajudasse financeiramente na campanha de distribuição.

Para envolver os brasileiros e arrecadar o valor necessário para distribuir o filme nos Estados Unidos, a Filme de Papel lançou uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Catarse. A produtora estabeleceu a meta de R$ 100 mil, mas a campanha é flexível e toda a quantia arrecadada, independentemente do valor, será utilizado. “Temos certeza de que se virem o nosso Menino, irão escolhê-lo”, escreveu Alê Abreu, diretor do filme, no texto de divulgação do projeto de crowdfunding.

A necessidade do financiamento coletivo expõe a realidade do cinema brasileiro. Enquanto “O Menino e o Mundo”, vencedor de mais de quarenta prêmios pelo mundo, teve orçamento de R$ 2 milhões, o favorito ao Oscar, “Divertida Mente”, da Disney-Pixar, teve investimento de, aproximadamente, R$ 700 milhões em sua produção.

Então, se você acha que a união faz a força e se quer ajudar o Brasil a trazer o Oscar para casa, contribua com a campanha de financiamento promovida pela produtora do filme. São diversas faixas de preço de contribuição, que cabem em todos os bolsos, de R$ 24 a R$ 1.180. Cada valor de contribuição também garante uma recompensa diferente, como um DVD do filme, um caderninho estilizado com o protagonista do longa e até telas pintadas pelo próprio diretor do longa. Você pode acessar o link do Catarse clicando aqui.

Veja o video da campanha:

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